O Carnaval já foi muito mais sacana e sem noção do que é hoje. Se você pensa que jogar confetes e serpentina nos seus amigos é sacanear com eles, você nunca deve ter ouvido falar no entrudo, uma brincadeira que antecedeu o surgimento do Carnaval tal qual o conhecemos hoje.
O entrudo foi trazido ao Brasil pelos portugueses no século XVI e nada mais era do que uma brincadeira de molhar as pessoas com água, farinha e perfumes. O líquido era condicionado em pequenas bolas de cera, chamadas de limões de cheiro ou laranjas de cheiro. Esses objetos eram atirados das janelas nas pessoas desavisadas que passavam pelas ruas. A coisa ficou tão popular no Brasil que confeccionar os tais limões de cheiro era quase uma tradição de família.
Existiam dois tipos de brincadeira de entrudo, a familiar, praticada pelos nobres dentro de suas casas, e o popular, praticado pelo povo e pelos escravos nas ruas. Dentro das casas, tudo acontecia numa boa, com os familiares brincando entre si. Mas na rua o bicho pegava, e as bolinhas de cera começaram a ser batizadas com substâncias, digamos, menos convencionais, como urina, fezes e até sêmen. A coisa foi evoluindo e ficando violenta, objetos começaram a ser arremessados durante a brincadeira e tudo chegou a tal ponto que, a partir de 1830, o governo começou a adotar medidas para acabar com o entrudo.
Foi nessa época que o Carnaval começou a ser importado de diversos lugares da Europa, como Veneza e Paris, e passou a tomar a forma da festa que conhecemos hoje. Mas o entrudo ainda deixou seus resquícios nos dias de hoje, como na Festa do Mela-Mela, em Pernambuco, na qual os foliões atiram maizena uns nos outros.












Mas que não há Carnaval como o brasileiro, não há!


